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JANEIRO ROXO - Campanha mundial contra a Hanseníase

07/01/2021 JANEIRO ROXO - Campanha mundial contra a Hanseníase

Janeiro Roxo - O combate à Hanseníase começa com a informação

Por: Dra. Juliana Elizabeth Jung, PhD - CRM 19955 - Médica Dermatopatologista do Citolab Laboratório, autora do livro: Roteiro Ilustrado de Dermatopatologia - Editora DiLivros

O Janeiro Roxo é uma campanha mundial voltada para a conscientização sobre a Hanseníase e que busca melhorar, através de campanhas educativas, o controle desta doença por meio da disseminação de informações especializadas e conscientização da população sobre sua gravidade, bem como a necessidade de diagnóstico e tratamento precoces, contribuindo para a redução do preconceito acerca da doença.  

A Hanseníase, também conhecida como Lepra, é uma doença com muitos estigmas e preconceitos e é mais comum do que imaginamos.  

O Brasil é o segundo país em número de casos, estando apenas atrás da Índia. É uma doença negligenciada que representa um sério problema de saúde no Brasil. 
 

A doença tem cura, seu tratamento é eficaz e se tratada no início não deixa sequelas.   No Brasil, o tratamento é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os pacientes podem se tratar em casa, com supervisão periódica nas unidades básicas de saúde.  

A Hanseníase é uma doença infectocontagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae, de evolução crônica, e se manifesta principalmente por meio de lesões na pele com alteração da sensibilidade e sintomas neurológicos como dormências e diminuição de força nas mãos e nos pés. Se descoberta e tratada tardiamente, a hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas.   

A Hanseníase apresenta um espectro de manifestações clínicas e histológicas. No Brasil utilizamos a classificação abaixo, onde vemos a importância da Patologia no diagnóstico desta doença:  

- Indeterminada: é localizada e caracterizada por máculas eritematosas ou hipopigmentadas, geralmente nos membros, que podem ser levemente hipoestésicas.

Representa um estágio inicial da Hanseníase que pode regredir. Cerca de vinte e cinco por cento dos casos evoluem para um dos outros espectros da doença: tuberculóide ou lepromatoso.

À histologia é caracterizada por infiltrado linfocitário com esparsos macrófagos, superficial e profundo, ao redor de vasos sanguíneos, anexos e nervos. Bacilos raramente são encontrados.

- Tuberculóide: outra forma localizada que representa a forma mais estável da doença. Caracteriza-se por única ou múltiplas placas vermelho-acastanhadas, anestésicas, distribuídas de maneira assimétrica no tronco ou membros.

Pode haver espessamento de ramo neural ou de nervos superficiais como o ulnar ou poplíteo, levando à paralisia neural. À histologia exibe granulomas não caseosos compostos por células epitelióides, células gigantes de Langhans e linfócitos ao redor de feixes vásculo-nervosos e músculo eretor do pelo. 

Coloração imunoistoquímica para S100 identifica nervos fragmentados destruídos pelo processo.  Bacilos são visualizados em menos de 50% dos casos. 

- Borderline: também chamada de dimorfa, representa um estágio intermediário entre o pólo tuberculóide e o lepromatoso. As lesões são geralmente placas eritematosas numerosas por vezes infiltradas, com máculas satélites, hipoestésicas com alteração no crescimento dos pelos.  

O aspecto histológico é a presença de granulomas mal formados ou coleções de células epitelióides onde são observados alguns bacilos. Destruição neural é menos evidente.

Quando tende para o pólo lepromatoso há pequenas coleções de macrófagos ao invés de células epitelióides.  Esses macrófagos têm citoplasma abundante e granular e muitos bacilos são facilmente encontrados.   

- Lepromatosa: é doença sistêmica, apesar de a primeira manifestação ser cutânea. O envolvimento de mucosa pode levar à ulceração do septo nasal e envolvimento neural pode resultar em pé caído ou mão em garra. 

Lesões cutâneas são simétricas, incluem múltiplas pequenas pápulas, placas infiltradas e nódulos com bordas mal definidas. Há infiltração difusa da pele do nariz, orelhas, testa, glabela e rareamento das sobrancelhas bilateral (madarose) caracterizando a fácies leonina. 
 

Ao exame clínico observam-se ainda áreas anestésicas e com anidrose.

A histologia é caracterizada por coleções e lençóis de macrófagos parasitados por numerosos bacilos em seu citoplasma, que apresenta aspecto granular fino, acinzentado.

Bacilos também são visualizados em glândulas sudoríparas, nervos, células de schwann e endotélio vascular e podem formar aglomerados chamados globias. 

Na Hanseníase Virchowiana não há formação de granulomas, mas infiltração histiocitária difusa.

Os bacilos proliferam abundantemente dentro de macrófagos, dando-lhes aspecto espumoso (células de Virchow). O caráter vacuolado das células de Virchow é dado pelos bacilos e por lípides. 

Há disseminação hematogênica dos bacilos. Por isso, as lesões cutâneas são aproximadamente simétricas e os grandes troncos nervosos são afetados por esta via. 
    

As biópsias das lesões devem incluir a espessura da derme e devem ser retiradas da borda mais ativa da lesão. Os bacilos, álcool-ácido resistentes, BAAR, podem ser detectados utilizando-se a coloração de Fite-Faraco ou Ziehl-Neelsen.  


O diagnóstico e tratamento precoce visam interrupção do ciclo de transmissão do bacilo e impedem o surgimento de lesões deformantes, mutilantes e incapacitantes em indivíduos acometidos

A conscientização da população sobre a doença com a procura de atendimento é o que faz a diferença no controle da doença. 


 

 

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