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CÂNCER BUCAL - Maio Vermelho / Mês de Luta contra o Câncer Bucal

16/05/2020 CÂNCER BUCAL - Maio Vermelho / Mês de Luta contra o Câncer Bucal

ORIENTAÇÕES PARA A COLETA DE AMOSTRAS DE LESÕES SUSPEITAS

Por: Dra. Juliana Elizabeth Jung, PhD - CRM 19955 - Médica Dermatopatologista do Citolab Laboratório, autora do livro: Roteiro Ilustrado de Dermatopatologia - Editora DiLivros

De acordo com Instituto Nacional de Câncer (INCA) a estimativa de novos casos para o câncer bucal em 2020 é de 15.190 (sendo 11.180 homens e 4.010 mulheres).

Os principais fatores de risco associados ao câncer bucal são principalmente tabagismo, consumo regular de bebidas alcóolicas, exposição solar sem proteção e infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV).

 

O processo de diagnóstico envolve várias etapas no atendimento do paciente e os profissionais de saúde, especialmente dentistas, são fundamentais para a avaliação de lesões suspeitas.

Através da biópsia um fragmento de tecido é removido para avaliação histopatológica e o exame anatomopatológico é considerado padrão ouro para o diagnóstico das lesões malignas.  

Tipos de biópsias

A biópsia pode ser realizada com remoção de apenas uma parte da lesão (biópsia incisional) ou pode remover a lesão por inteiro (biópsia excisional/exérese).

                                              


A biópsia deve coletar o material de forma representativa, em tamanho e profundidade suficientes.

A obtenção da amostra de tecido pode ser feita por diferentes técnicas cirúrgicas e com auxílio de instrumentais cirúrgicos específicos.

Na odontologia, a técnica com bisturi frio é a mais frequente, pela facilidade de acesso às estruturais bucais. Lesões extensas e inflamatórias podem ter indicação de utilização de eletrocautério ou laser cirúrgico.  


O uso do “punch” também tem suas indicações em mucosa bucal. O “punch” é um cilindro cortante, que favorece a coleta de amostra em profundidade. É uma técnica simples e segura para realização da biópsia.

Representação esquemática do punch:


A core biopsy é uma técnica usada com bastante frequência em conjunto com o ultrassom, usada para investigação de massas cervicais.

Seu uso em cavidade bucal está indicado em lesões de glândulas salivares maiores e massas tumorais. Esta técnica favorece a coleta de material nas regiões mais internas da lesão.


Representação esquemática da core biopsy:

 

Cuidados com a amostra

  1. Durante o ato cirúrgico para realização da biópsia, deve-se evitar a laceração do tecido, seja pelo uso inadequado de pinças, ou por instrumento não adequadamente afiado, pois a avaliação histopatológica pode ser comprometida. 

  1. O material colhido na biópsia deve ser imerso em líquido fixador - formalina a 10% - o mais rápido possível para preservar o tecido, sem que ocorra autólise, o que pode prejudicar a análise histopatológica.

  2. Também é necessário que a quantidade de fixador seja suficiente, em quantidade proporcional a amostra. De maneira geral, um volume 10 vezes maior que a amostra é recomendado. O tempo de fixação também poderá variar dependendo do tamanho do material coletado e o tipo de tecido. Idealmente, o período de fixação deverá ser de 24 horas, ou mais, em caso de fragmentos maiores.

  3. O frasco utilizado para o acondicionamento do material deve ter boca larga, pois uma vez fixado, o tecido fica enrijecido, dificultando o manuseio no laboratório.

  4. O material deve ser sempre acompanhado de requisição contendo dados do paciente, informações sobre a história clínica e sobre a lesão, descrevendo as suas principais características e tempo de evolução.
    A indicação da principal hipótese diagnóstica clínica, seguida de seus diferenciais favorece o diagnóstico histológico e permite ao patologista melhor avaliação, bem como indicação de colorações especiais complmementares e estudo imunoistoquímico.

O frasco ideal deve ter boca larga e o volume de fixador deve ser 10 vezes maior que o fragmento coletado.




É importante ressaltar, que todo e qualquer fragmento de tecido removido do paciente deve ser encaminhado para a análise histopatológica para confirmação do diagnóstico definitivo, mesmo quando o diagnóstico clínico está bem estabelecido.

Uma vez estabelecido o diagnóstico histopatológico, é possível definir a conduta terapêutica individualizada para cada paciente.


 

 

 

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